Estudo do Sindicato alerta para decréscimo na utilização de jogadores nacionais



O Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol apresentou, pelo nono ano consecutivo, um estudo sobre a utilização de jogadores portugueses e estrangeiros nas ligas profissionais.

O evento contou com a presença de Rui Pedro Soares, presidente da SAD do Belenenses, e de Nuno Gomes, responsável pela formação do Benfica, os dois clubes que maior número de jogadores portugueses utilizaram nas primeira e segunda liga, respetivamente.

O Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF), através deste estudo que leva a cabo desde a época 2006/2007, realiza um levantamento da utilização de jogadores nacionais e estrangeiros nas ligas profissionais.

Na base deste estudo esteve subjacente a “estrangeirização” das ligas nacionais e a preocupação manifestada a nível internacional pela FIFA e UEFA, que à data acompanhámos.

Apesar dos inegáveis benefícios da chamada “Lei Bosman”, levada ao limite pelos agentes desportivos, esta causou um desequilíbrio nas competições, provocado pelo incremento significativo de estrangeiros nos clubes, associado ao desinvestimento na formação.

A propósito, a FIFA começou por apresentar a proposta de implementação da chamada regra “6 + 5”, que não mereceu acolhimento jurídico pela União Europeia, culminando na atual regra dos jogadores “formados localmente”.

A perda de referências, a descaracterização dos clubes e das seleções nacionais, a ausência de modelos de desenvolvimento assentes na promoção dos jovens jogadores e a “mercantilização” do futebol, enquanto negócio, exigiram aos responsáveis pela tutela do fenómeno uma intervenção que invertesse esta realidade.

Desde essa data até a atual, assistimos a várias discussões, umas mais genuínas do que outras, sobre a importância da formação para os clubes e para o futebol português. Há quem, efetivamente, tenha apostado e há quem tenha colhido os frutos da formação por mero acaso.

A reformulação dos quadros competitivos, a regulamentação das equipas “B” e a introdução como critério do conceito de jogador localmente formado tiveram impacto significativo. Consequentemente, os jovens jogadores tiveram oportunidade de competir regularmente e a um nível de maior exigência. Paralelamente, a valorização dos jovens gerou retorno para os clubes, para as seleções nacionais e para o país.

O Sindicato continua, desde a primeira hora, convicto de que o futuro do futebol português e o futuro dos clubes passa pela valorização dos jovens jogadores nacionais, sem prejuízo do reconhecimento da importância dos jogadores estrangeiros para a valorização das nossas competições.

Assim, independentemente dos locais próprios onde afirmar esta posição e de insistirmos em mobilizar os agentes do futebol para a mesma, com este estudo pretendemos continuar a contribuir para uma discussão séria e regular sobre esta realidade. Os resultados estão à vista. Não podemos permitir um retrocesso no percurso de valorização do jovem jogador português, garantido pelas oportunidades concedidas pelo critério da “formação local”.

Através deste estudo, propomos uma reflexão profunda sobre a utilização de jogadores portugueses e estrangeiros nas competições profissionais na época 2016/2017. Pretendemos, mais do que apontar soluções, conceder a quem atua neste fenómeno conhecimento das tendências verificadas na última década.

 

Para Rui Pedro Soares, a opção do Belenenses por um grande número de jogadores portugueses tem como primeira base o custo. “Para além da qualidade dos nossos jovens, temos de considerar que os jogadores portugueses são mais baratos que os estrangeiros, quer pelos ordenados em si, quer pela inexistência de custos paralelos, como viagens, acomodação, etc”. O responsável da SAD do Belenenses sublinha que a filosofia “é para continuar”, uma vez que os “resultados a isso convidam”.



Nuno Gomes, por seu lado, lembrou que a aposta do Benfica nos jovens “não é de agora e integra-se numa filosofia que tem provado a sua validade, com uma dupla vertente – formar jogadores e integrá-los de forma sustentada na equipa principal”. O dirigente do Benfica sublinhou que o clube forma jogadores “portugueses e de outras nacionalidades”, admitindo que a maior utilização de jovens nacionais “não é por acaso”.

Consulte o estudo na íntegra AQUI.

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