Renato Margaça, o luso-cipriota, em entrevista


Jogador nascido em Portugal representa a seleção de Chipre.

É o futebolista estrangeiro com mais jogos na história do Omonia e representa a seleção de Chipre. Renato Margaça, o português que nasceu na Covilhã, revela as razões que estiveram na base da sua decisão.

Cumpre a décima época no futebol cipriota. O que o levou a representar a seleção de Chipre?
Foi uma decisão que tomei para retribuir o apoio e reconhecimento que recebi em Chipre. Depois de tantos anos fora de Portugal e não jogando a um nível muito elevado, como em Espanha, Itália ou Inglaterra, o sonho de representar a seleção portuguesa não era realista.

O Renato nunca jogou na Primeira Liga em Portugal. É algo que gostaria de ter concretizado?
Sim, confesso que tenho um sabor um pouco amargo por não ter tido a oportunidade de jogar na Primeira Liga portuguesa. Estive no Alverca, Torreense, Fátima e Mafra e infelizmente não surgiu essa possibilidade.

A Liga Cipriota é mais competitiva do que a Segunda Liga Portuguesa, onde participou pelo Alverca em 2004/05?
A Segunda Liga portuguesa é muito competitiva. Na Primeira Divisão de Chipre, as primeiras seis equipas são as mais fortes do campeonato e claro que estariam no principal escalão em Portugal a lutar pelos lugares europeus e meio da tabela. As equipas mais fracas da Liga Cipriota estariam na Segunda Liga em Portugal.

Como foi a adaptação a Chipre?
Foi bastante fácil porque éramos muitos portugueses. Lembro-me de ter vindo com mais três jogadores (Milton Mendes, Carlos Saavedra e Carlos André) e depois ainda vieram o João Comboio, o Paiva, o Pedro Duarte e o Ernesto para o DOXA. Chegou a haver um jogo em que os 11 jogadores da equipa falavam a mesma língua, entre portugueses e brasileiros.

DOXA, AEK Larnaca e Omonia são os clubes que já representou em Chipre. Existem grandes diferenças entre estas equipas?
Sim. O DOXA é uma equipa pequena e não tem uma grande massa associativa. O AEK Larnaca é um clube que se tem organizado bem nos últimos cinco anos, mas o Omonia é o mais forte dos três e é um clube grande em termos de adeptos.

O que é obrigatório visitar em Chipre?
As praias. Chipre é um país com um clima muito bom, especialmente no verão.

Costuma visitar Portugal? O que faz questão de levar na mala quando regressa ao Chipre?
Sim, vou a Portugal todos os anos ver a família e os amigos. Gostaria de os trazer comigo para Chipre, mas infelizmente não é possível. Trago sempre bacalhau e comidas típicas portuguesas, que são sempre saborosas.

Inscreveu-se no Sindicato dos Jogadores de Chipre?
Sim. Todos os anos, os jogadores da Liga são obrigados a inscreverem-se no Sindicato e a contribuírem. É uma cláusula que está no contrato. Acho que deveria ser utilizada em todos os países. O Sindicato é uma instituição que ajuda muito e protege os jogadores.

Alguma vez recorreu aos serviços do Sindicato dos Jogadores?
Graças a Deus, nunca tive a necessidade de recorrer ao departamento jurídico do Sindicato. Sempre tive uma excelente relação com os clubes e nunca tive qualquer problema. Mas sei de colegas meus que tiveram problemas e o Sindicato ajudou-os a resolver essas situações.

O seu pai, João Margaça, teve um papel ativo nos primeiros anos do Sindicato dos Jogadores. Alguma vez falou com ele sobre o trabalho do Sindicato?
Sim. O meu pai chegou a ser meu treinador e sempre me falou no Sindicato e que era importante os jogadores serem associados. É com orgulho que vejo que o Sindicato português tem mais força para ajudar e proteger os jogadores.

Perfil
Nome: Renato João Inácio Margaça
Data de nascimento: 17 de julho de 1985
Posição: Médio
Clubes que representou: Alverca (formação), Alverca, Torreense, Mafra, DOXA (Chipre), AEK Larnaca (Chipre) e Omonia (Chipre).

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