“A divulgação do futebol feminino tem sido excelente”


Capitã do Sintrense concedeu uma entrevista à revista W.

A capitã do Sintrense concilia os treinos com um mestrado em matemática, pois a formação superior é o mais importante.

Está a tirar o mestrado em matemática. Como surgiu o interesse por essa área?
Acabei o secundário e gostava muito de matemática e desporto, estava indecisa. Escolhi a matemática como via de estudo e jogo futebol um pouco como hobby.

Ter formação superior sempre foi uma ambição?
Sim, acho que é o mais importante. E quanto mais longe conseguirmos ir, melhor.

E o clube apoiou-a nos estudos?
Sim, sempre. Eles querem é que eu tenha sucesso nos estudos e na faculdade. Apoiaram-me sempre. Quando é preciso faltar a algum treino são muito compreensivos.

Considera que faltam medidas que apoiem a conciliação dos estudos com o futebol?
Acho que não. Se conseguirmos organizar bem o nosso tempo, acho que dá para conciliar tudo. Até dá para ter outros passatempos e outras atividades fora do futebol e da faculdade.

Teve de abdicar de muita coisa para se poder concentrar nos estudos?
Consegui equilibrar bem logo desde início, tive muita sorte nisso. Acabou sempre por correr tudo bem, nunca tive muitos problemas.

Como concilia os estudos com os treinos de futebol, amigos, família…?
É uma questão de ter o tempo bem organizado, ter as tarefas bem delineadas, o que é que vamos fazer em cada dia. Temos sempre tempo para tudo, até para os amigos, para sair um bocadinho também.

É vista pelas colegas como um modelo a seguir?
Também temos outras jogadoras no clube que estão a tirar cursos superiores. Eu e mais duas ou três que somos as mais velhas, estamos a tirar um curso e as mais novas gostam de olhar para nós e ver que realmente é possível conciliar tudo.

Aconselha-as a não abandonar os estudos?
Não abandonar nem os estudos nem o futebol, dá para conciliar tudo.

E quer mesmo fazer do futebol vida ou está a pensar seguir o percurso da matemática?
Não tenho bem a certeza. Um sonho seria mesmo jogar futebol a nível profissional e fazer disso a minha vida. Sinceramente acho que não é possível, mas é um sonho que todas temos. A matemática serve para conciliar isso e logo ver o que posso fazer com ela. Também ainda não tenho a certeza do que posso fazer com o mestrado (risos). Logo se vê!

Quem era o seu ídolo de infância?
Steven Gerrard, desde sempre!

Qual a sua opinião acerca do trabalho do Sindicato dos Jogadores em prol do futebol feminino?
Acho que a divulgação do futebol feminino tem sido excelente. Isso é o mais importante, porque depois vêm mais apoios e nós temos mais possibilidades de progredir com o futebol feminino.

Apesar de ser um clube amador, acha que a estrutura funciona de forma profissional?
Mais ou menos. Não acho que isso seja muito verdade, apesar de nós tentarmos com que isso aconteça, nem todas têm o mesmo empenho. O que é normal num grupo. As pessoas também têm outros compromissos, como trabalho e faculdade.

A maioria das jogadoras do clube olha para o futebol como um hobby ou têm a ambição de chegar ao futebol profissional?
O sonho de todas era poder chegar mais longe e representar o nosso país e a Seleção. Mas acho que a maior parte encara como futebol amador e como um hobby.

Como foi eleita capitã da equipa?
Quando cheguei ao Sintrense o projeto ainda estava a começar, eu era das mais velhas que lá andava. Acho que pela minha serenidade em campo acabei por ser eleita capitã.

Sendo capitã, que valores transmite às restantes jogadoras para além dessa calma e serenidade?
Respeito. Principalmente respeito pelas colegas que andam a trabalhar, que se esforçam e que não falham. Acho que apesar de não ser profissional, todas temos de cumprir da mesma forma.


Perfil
Nome: Petra Pacheco
Data de nascimento: 22 de novembro de 1996
Posição: Médio
Percurso como jogadora: Sintrense.

Partilhar