“A jogadora portuguesa está muito melhor cotada a nível europeu”


Carolina Mendes esteve no estrangeiro nas últimas sete temporadas.

A melhor marcadora de Portugal no Europeu 2017 emigrou em 2011 para cumprir o sonho de ser profissional.

Seguiram-se passagens por Rússia, Suécia, Islândia e Itália. Na próxima época, Carolina Mendes voltará a jogar em Portugal, ao serviço do Sporting.

O que a levou a emigrar em 2011?
O sonho de ser profissional de futebol. Na altura era impossível conseguir esse objetivo em Portugal e esse foi um dos principais motivos. Além disso, os campeonatos são mais competitivos lá fora e isso permitia-me ser melhor jogadora.

Além de Portugal, já jogou em cinco países. Sentiu dificuldades de adaptação em algum destes casos?
A adaptação faz sempre parte do processo quando saímos da nossa zona de conforto e vamos para outro país. Muda o treinador, as colegas de equipa, a cidade, a casa e há sempre uma adaptação inicial. Talvez tenha sentido mais dificuldades na Rússia, sobretudo a nível de comunicação, porque não falam muito em inglês, e precisei da ajuda de uma tradutora.

Dos cinco países estrangeiros em que esteve, onde se sentiu melhor?
Sempre me senti bem nos países onde estive, sendo que em Itália a adaptação é mais fácil porque a cultura é muito semelhante à nossa. Na Islândia, as minhas colegas de casa eram brasileiras e acabei por me sentir bem em todos os países. Também gostei muito da mentalidade que os suecos têm sobre o futebol feminino, são muito profissionais.

Viveu algum episódio caricato nos países por onde passou?
Na Rússia, além do treinador, tínhamos uma tradutora a dar-nos indicações nos treinos e quebrava um pouco os nossos exercícios. Lembro-me também de ir a um restaurante russo, pedir um prato e traziam-me algo completamente diferente. Chegava ao metro e tinha de voltar para trás porque não percebia nada do que estava escrito nas linhas. Esses foram os episódios do dia-a-dia mais inesperados.

Foi a segunda passagem por Itália, depois de uma experiência no Riveira em 2013/14. Notou diferenças no futebol praticado?
Sim, sobretudo nas equipas que são menos cotadas. Na minha primeira passagem por Itália havia grandes diferenças entre as formações mais competitivas e as menos fortes e, neste momento, noto um equilíbrio maior entre todas as equipas. O nível do futebol feminino italiano subiu um pouco depois da Juventus ter entrado como equipa profissional e isso acabou por ser uma mais-valia para o campeonato.

Foi a melhor marcadora de Portugal no Europeu feminino de 2017. Como se sente ao ter esse registo?
Pessoalmente foi muito bom e, a nível coletivo, fizemos um excelente Europeu. Marcar dois golos pela Seleção foi muito bom para mim e é para isso que trabalhamos. Espero vir a marcar mais vezes para continuarmos a nossa caminhada de sucesso.

Sente que o facto de algumas jogadoras portuguesas, como a Carolina, terem emigrado muito cedo contribuiu para os recentes resultados positivos da Seleção Nacional?
Sim, claro. Não só as que emigraram, mas também as que estiveram e estão em Portugal e que trabalharam muito pelo futebol feminino. A jogadora portuguesa está muito melhor cotada a nível europeu e mundial e todo este trabalho já vem de outras gerações.

Está inscrita no sindicato italiano e dos outros países em que jogou?
No sindicato italiano estou inscrita, mas nos outros países estrangeiros nunca fui abordada nesse sentido. Tal como em Portugal, em Itália há alguém que vai aos clubes falar com as jogadoras e já nos informaram sobre os nossos direitos.

Qual é a sua opinião sobre o trabalho do Sindicato dos Jogadores?
Estou inscrita no Sindicato dos Jogadores de Portugal e sei que se precisar de algum tipo de apoio, posso contar convosco. Há muitos anos não se ouvia falar do Sindicato no futebol feminino e neste momento é uma mais-valia para a jogadora portuguesa. Está a ser feito um excelente trabalho.


Perfil
Nome: Carolina Ana Trindade Coruche Mendes
Data de nascimento: 27 de novembro de 1987
Posição: Avançada
Percurso como jogadora: Eléctrico (formação), Desportalegre (formação), Est. Portalegre (formação), Ponte Frielas, 1.º Dezembro, UE L Estartit (Espanha), SPC Llanos Olivenza (Espanha), ASD Riveira (Itália), Rossiyanka (Rússia), Djurgarden (Suécia), Grindavík (Islândia), Atalanta Mozzanica (Itália) e Sporting.

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