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Sindicato apoia futebolistas brasileiros iludidos por falsa promessa


Joaquim Evangelista apela a maior responsabilidade por parte dos agentes desportivos.

O Sindicato dos Jogadores está a prestar apoio a dois jogadores brasileiros, Paulo Rodrigo “Digão” e Romário, que viajaram para Portugal iludidos por promessas de contrato profissional, com viagens e alojamento pagos, feitas por um agente desportivo, Fabiano Laranjeira.

Os futebolistas avançaram a verba para a viagem, mas assim que chegaram a Portugal, em finais de janeiro, depararam-se com uma situação bem diversa. “Quando passámos a Emigração contactámos o Fabiano Laranjeira e ele ficou surpreso. Aí percebemos que havia algo de errado”, conta “Digão”.

Ninguém os esperava no aeroporto e o clube Caçadores de Ansião, da Distrital de Leiria, em nome de quem tinha sido feita a proposta, por carta, demarcou-se das ações de Fabiano Laranjeira. Os jogadores, que se deslocaram por conta própria, permaneceram depois várias semanas numa pensão em Coimbra, sem possibilidade de treinar, apenas com uma refeição por dia e sem meios de subsistência.

Os contactos com o intermediário, por whatsapp, em nada ajudaram a desbloquear a situação: “Deixa mensagens dizendo que vem hoje, que vem amanhã e nunca vem. E sempre a ameaçar, para não tomarmos iniciativas”, acrescenta “Digão”.

Tendo pedido auxílio ao Sindicato, os jogadores foram transportados para Lisboa e apoiados financeiramente, estando neste momento a receber apoio jurídico e logístico, tendo em vista o seu regresso em segurança ao Brasil. “Aprendi uma lição para a vida”, admite Romário.

Joaquim Evangelista, Presidente do Sindicato dos Jogadores, destaca a gravidade da situação e apela a maior responsabilidade dos agentes desportivos envolvidos:

“É lamentável que continuemos a assistir a casos como este no futebol português. Os clubes não podem, simplesmente, fugir às suas responsabilidades, remetendo para os intermediários, e vice-versa. Estes jogadores vieram para Portugal com promessas verbais, mas também com documentação, nomeadamente uma carta convite, que refere a garantia da sua subsistência no país e a celebração de um contrato. Nada disso se verificou e, mais uma vez, ninguém assumiu as suas responsabilidades para com estes jogadores”.

Além dos dois jogadores que recorreram ao Sindicato haverá outros futebolistas brasileiros a viver situação semelhante e que optaram por não denunciar o sucedido.

João Oliveira, responsável pelo gabinete jurídico do Sindicato dos Jogadores, deixa alguns conselhos aos jogadores, para prevenir este tipo de ocorrências:

“Quando viajam para um país estrangeiro, os jogadores devem ter cautelas redobradas. É fundamental verificar a idoneidade do intermediário e a sua relação com o clube interessado na contratação, verificar todos os documentos disponibilizados com as entidades consulares e, ainda, garantir as condições de retorno ao país de origem, caso exista algum problema. Sem prejuízo das responsabilidades a apurar, queremos que os jogadores estejam mais informados e atuem preventivamente”.

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