A união de classes


Coincidindo com as comemorações dos 112 anos da Federação Portuguesa de Futebol, as associações de classe deram um exemplo claro de pluralidade e vitalidade do movimento associativo. Tive oportunidade de ser o anfitrião de um encontro com Henrique Calisto (ANTF), José Borges (APAF), Diamantino Gonçalves (ANDIF) e Carlos Alberto Morais (ANEDAF), no qual debatemos pontos de convergência e preocupações legítimas com a realidade profissional das classes que representamos, a necessidade de capacitação e apoio efetivo àqueles que garantem o sucesso do futebol português. 

Com missões, protagonismos e escalas bastante diferentes, reconhecemos que é preciso proteger o talento que desponta desde a formação e avaliar as etapas necessárias ao desenvolvimento dos jovens jogadores em Portugal, dando ao mesmo tempo condições aos treinadores para fazerem o seu trabalho neste processo e à arbitragem a capacidade e segurança no exercício das suas funções. Abordámos, por isso, o papel que todos podemos desempenhar na pedagogia contra o ódio, a violência e descredibilização do setor, focados em alguns projetos que merecem um envolvimento conjunto, por incidirem sobre problemas com impacto transversal. 

Uma convergência de posições e partilha de recursos que reforça o espírito de cooperação que impera quando falamos em proteger direitos e garantias de classes profissionais, mas também da autonomia, capacidade de intervenção e proatividade na apresentação de propostas por quem representa jogadores, treinadores, árbitros, dirigentes, médicos e enfermeiros. 

Apesar dos órgãos democraticamente consagrados para produzir o debate sobre temas centrais do futebol português, falta tempo e oportunidades para pensar soluções e discuti-las de uma forma construtiva e comprometida. Um dos exemplos flagrantes é a discussão das alterações regulamentares, que apesar de comunicadas e colocadas a consulta pública, em obediência a prazos legais, quase nunca permitem um envolvimento profundo das classes profissionais, em especial nas matérias que as afetam diretamente.

Duas notas finais para lembrar que no próximo fim de semana cada golo vale ajuda a quem mais precisa. O “Projeto Golo”, promovido pelo Sindicato, Liga e Record, arranca na 30.ª jornada do campeonato e, além das contribuições das entidades associadas, convidamos todos os clubes, agentes desportivos e público a associar-se com o seu donativo. Só pode haver um desfecho, muitos jogos de qualidade e grande inspiração dos goleadores em Portugal, para apoiar as vítimas das intempéries que não podem cair no esquecimento. Finalmente, quero dar os parabéns ao João Pinheiro, ao Luciano Maia e ao Bruno Jesus que irão  representar a arbitragem portuguesa no próximo Mundial, motivo de orgulho nacional. 

Artigo de opinião publicado em: jornal Record (12 de abril de 2026)

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