Novas suspeitas de imigração ilegal e tráfico humano no futebol português


SEF detetou cerca de 110 jogadores em situação irregular no nosso país.

Entre 2019 e 2020, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) detetou cerca de 110 futebolistas em situação irregular em Portugal. Fonte do SEF, em declarações publicadas no Jornal de Notícias desta quarta-feira, afirma que foram “detidos dois cidadãos por suspeitas de práticas de crime de tráfico de seres humanos, auxílio à imigração ilegal e falsificação de documentos”. Foram constituídos arguidos 26 cidadãos e 10 clubes.

Envolvidos nestes crimes estarão dirigentes, agentes desportivos e até atletas. Em causa está a falsificação de documentos e criação de contratos fictícios, de forma a facilitar a entrada de jogadores estrangeiros. Estão, neste momento, pelo menos 40 inquéritos crime em curso.

Em declarações à Rádio Observador, o presidente do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista, deixou um alerta para os sinais evidentes deste fenómeno: “A criação de modelos societários complexos, o excesso de jogadores estrangeiros em competições amadoras [Campeonato de Portugal e Distritais] e a liderança destes projetos por investidores também estrangeiros, deve gerar um sinal de alerta. Nestas competições é tudo muito pouco visível, há um sentimento de impunidade. Os jovens alimentam o sonho de jogar na Europa, os pais endividam-se e depois são-lhes dadas condições indignas e são abandonados. Quando isto acontece os jovens procuram ajuda e é nesta altura que o Sindicato intervém de forma direta.”

O Sindicato dos Jogadores, que tem vindo a alertar e a denunciar diversos casos de tráfico de jovens, identificou dezenas de atletas nesta situação em 2020, mas Joaquim Evangelista afirma que existem muitos mais casos. “É difícil dizer um número concreto, porque estes jogadores estão em Portugal reféns, fragilizados, ou seja, muitos deles quando são abandonados têm medo de denunciar, por causa das represálias e da coação dos angariadores sobre os próprios e as famílias”. No limite, o Sindicato dos Jogadores suporta as passagens aéreas para os jovens poderem regressar ao seu país.

O tráfico de jogadores de futebol não é um problema novo e há muito que as autoridades e instituições procuram formas de combater a situação.

De salientar o grupo de trabalho criado entre o SEF, Federação, Liga e Sindicato. Apesar de tudo, muito tem sido feito, hoje já existe nova regulamentação, multas e penas mais pesadas, para dirigentes e clubes.

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