Encanto na hora da despedida


Caetano marcou o golo da vitória do Varzim sobre o Penafiel, na despedida dos relvados.

Caetano pendurou as botas no último fim de semana, aos 29 anos, como o pai, Agostinho, fez no seu tempo. O que o levou a terminar a carreira? Os negócios. O extremo do Varzim, que chegou a jogar nas principais competições europeias, há muito que mostrou o seu lado empreendedor, tendo já criado vários espaços de fitness e padel. Agora, considera que chegou o momento de abraçar em exclusivo os negócios, em especial os da família.

A despedida dos relvados não podia ter corrido melhor. Pediu ao presidente do clube para terminar na visita a Penafiel e assim foi. Num campo especial, Caetano despediu-se com um golo – o primeiro da temporada, o último da carreira – que deu a vitória tão desejada ao Varzim. Como não poderia deixar de ser, Caetano foi o Craque da Semana da Liga 2 para o Sindicato dos Jogadores.

Escolheste o jogo da tua despedida, entraste e marcaste o golo da vitória. Como descreverias esta despedida? Correu tudo de forma perfeita, como num filme?
[risos] Foi uma despedida emocionante, memorável. Não podia escolher uma despedida melhor, nem nos meus melhores sonhos. Foi tudo perfeito. Joguei com duas camisolas, porque estava confiante de que ia marcar golo e queria dar a camisola à minha mãe que acompanhou desde sempre – desde que eu era miúdo e jogava no Paredes até jogar ao mais alto nível, pelo Paços de Ferreira, na Liga dos Campeões – até que viu o meu último jogo da carreira. Fiz golo, ganhámos, o Varzim também estava a precisar de uma vitória, que já não ganhava há muito tempo…. Foi um final de tarde perfeito num estádio que para mim é especial. Tinha pedido ao presidente do Varzim para terminar em Penafiel, por isso correu tudo bem.

Naquele segundo, em que viste a bola entrar na baliza, o que te passou pela cabeça?
Uma nostalgia, que ainda hoje sinto, e uma felicidade muito grande. Uma nostalgia, porque a minha vida sempre teve futebol – acompanhei o meu pai como presidente, como jogador e eu sempre fui jogador desde os meus 5 ou 6 anos de idade – e deixar uma coisa de que eu tanto gosto deixa-me um bocado nostálgico. Por outro lado, uma felicidade grande, porque tive uma carreira bonita, estou orgulhoso da minha carreira e acabei de uma forma muito feliz.

Seguiste sempre os passos do teu pai, inclusive, deixaste de jogar aos 29, tal como ele. Pergunto se o teu pai é o teu exemplo maior e se podemos prever o teu futuro ao olhar para ele?
Sim, o meu pai é o meu maior exemplo, é o meu maior ídolo e eu penso que aquilo que ele construiu, aquilo que ele criou desde que deixou o futebol é fantástico. Teve uma carreira bonita, mas fora do futebol tem uma carreira fantástica. Eu deixei o futebol porque já estava a gerir as empresas da parte do fitness. Fui criando o meu próprio caminho, tenho sete espaços de fitness e dois de padel, mas agora queria dedicar-me a 100% ao negócio mais forte da família, que é a parte imobiliária. O meu pai é construtor, então fazemos muitas habitações e eu tinha de me dedicar a essa parte, às empresas que estão cada vez mais fortes e em crescimento, para o meu pai sentir que vou dar seguimento àquilo que ele criou e construiu e para eu trabalhar junto dele, enquanto é novo, para poder aprender com ele. Por isso, acho que ele está orgulhoso por me ver ao lado dele.

Achas que não era possível conciliar as duas coisas, como tinhas vindo a fazer até ao momento?
Eu já conciliava os negócios do fitness com o futebol, sempre conciliei e até acho que isso pode ter prejudicado um pouco a minha carreira. Neste momento conciliar com a parte imobiliária era impossível porque tenho de estar dedicado a 100% e não dava para conciliar com o futebol.

Alguma vez sentiste que o futebol perdeu o encanto para ti? Se estivesses a jogar a um nível mais alto esta decisão seria adiada?
Essa é uma pergunta difícil… [risos] O futebol nunca perdeu o encanto para mim, sempre fui muito feliz a jogar, muito feliz a treinar. Eu sempre fui muito feliz com a bola no pé. Sempre fui muito feliz no balneário, sempre fui jogador de balneário, fiz muitas amizades. Por isso, não posso estar mais grato ao futebol e este nunca perdeu o encanto para mim.

Há alguma coisa que tenhas deixado por fazer?
Talvez. Com 23 anos já tinha um currículo muito bom – tinha mais de 100 jogos na Primeira Liga, tinha jogado na Liga Europa, na Liga dos Campeões, fui à final do Campeonato do Mundo (sub-20 em 2011) e à final da Taça da Liga. Nesse ano, depois, descemos de divisão. Eu tinha propostas muito boas do estrangeiro e de clubes da Primeira Liga do sul do país. O facto de nunca querer abandonar os negócios e não querer sair de perto de casa penso que prejudicou a minha carreira, mas não estou arrependido. A nível de futebol, se calhar, poderia ter emigrado e ter tido uma experiência no estrangeiro, mas lá está, não quis e não estou arrependido. Aquilo que fui criando, foi para o meu futuro e eu ainda tenho a vida pela frente, ou seja, foi uma decisão da qual não me arrependo. Deveria tê-lo feito em prol da minha carreira, mas em prol da minha parte profissional e do meu futuro, penso que foi a melhor decisão que tomei.

É de contar com uma futura geração dos Caetanos no mundo do futebol?
[risos] Não sei, acredito que sim. A nossa família sempre esteve ligada ao futebol e acredito que um dia poderei ter um filho que seja jogador. Penso que, como acompanhei o meu pai como presidente, se calhar daqui a uns anos serei presidente de um clube também. Não tenho isso para já, mas daqui a uns anos acho que voltarei ao futebol como presidente. Não é uma ambição que tenha de imediato, mas como a minha carreira tem sido um pouco similar à do meu pai, embora ele me diga para eu não o fazer, acredito que um dia isso possa vir a acontecer.

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