Golaço do André, claro


Avançado do Vilafranquense marcou do meio da rua e deu a vitória frente ao Mafra.

Com um golo artístico, o Vilafranquense venceu pela primeira vez em 2021 e fugiu à zona de despromoção. André Claro, com várias passagens pela Primeira Liga, admite que o seu tento foi puro instinto e que esta vitória vai ter um impacto importante na equipa.

O Vilafranquense tem agora sete jogos pela frente, nos quais só interessa ganhar. Apesar de na próxima jornada enfrentarem o líder isolado Estoril, o avançado acredita que a vitória é possível.

André Claro é o Craque da Semana da Liga Portugal 2 para o Sindicato dos Jogadores.

Marcaste um golo do meio da rua, como se costuma dizer, e acabaste por fazer um chapéu ao guarda-redes. Tiveste tempo para pensar antes de rematar?
Eu não sei se aquilo é bem pensar ou outra coisa qualquer [risos]. Foi um milésimo de segundo. Não me lembro como foi, sinceramente. Tive aquele instinto e senti que havia espaço entre o guarda-redes e a baliza e arrisquei. Foi uma coisa que provavelmente li muito rápido no momento e que me levou a chutar, porque ninguém chuta dali assim. Aliás, nem foi um chuto, foi um passe! Foi um passe para a baliza.

Com o teu golo, o Vilafranquense pôs um ponto final ao momento menos bom e conquistou os primeiros três pontos do ano. Esta vitória foi importante psicologicamente?
Sim, muito importante. Temos sofrido bastantes golos nos últimos minutos, quando estamos a ganhar. Recordo-me de três ou quatro jogos desde o início da época em que sofremos perto dos 90, quando tínhamos três pontos praticamente assegurados e isso cria uma desconfiança até ao final do jogo. Aquilo que tentámos corrigir em relação aos erros passados foi defender um bocado mais longe da nossa baliza para não correr o risco de haver ali uma pequena sobra ou de ter um azar novamente. Nesse aspeto, acho que a equipa foi muito forte psicologicamente, deu um passo em frente e ultrapassou uma barreira que já tínhamos tido várias vezes. Aconteceu-nos em casa com o Covilhã, com o Casa Pia… tudo situações em que a seguir ao golo o árbitro termina o jogo. A equipa precisava mesmo de uma vitória e obviamente que vai dar uma outra confiança para os próximos jogos.

Agora, fora da zona de despromoção, a confiança para seguir com os bons resultados é maior?
Nós não estamos a pensar se estamos no lugar de despromoção ou acima. Neste momento, não temos outra hipótese se não ganhar. Vamos ao Estoril e obviamente temos de ir com o pensamento na vitória. Sabemos que não é fácil porque o Estoril está num grande momento, tem uma equipa muito completa, mas na primeira volta não senti que não pudéssemos ganhar o jogo, por exemplo. Portanto… É a Segunda Liga. Todos os jogos são de tripla e esperemos que consigamos os três pontos.

És um jogador com bastante experiência na Primeira Liga, com mais de 150 jogos feitos. Entre a Primeira e a Segunda, qual dirias que é a mais competitiva?
A Primeira é bem mais competitiva, claro que sim. Agora, em termos de o primeiro perder com o último, se calhar na Segunda Liga é mais provável acontecer. Em termos de resultados pode ser sempre qualquer um. Mas, sem dúvida, a Primeira é mais competitiva, mais intensa… Em todos os aspetos está um passo acima.

Ao longo da carreira já tiveste, de certeza, propostas para jogar no estrangeiro, mas nunca saíste de Portugal. Não tens espírito de emigrante?
Fui fazendo o meu percurso naturalmente, sem pensar se era fora ou dentro. Claro que gosto de estar no meu país, sou sincero, sinto-me confortável aqui, mas nunca pensei muito nisso. Nos últimos anos comecei, sim, a pensar mais, se calhar ir para fora um ano ou dois, mas não penso mesmo muito. Penso sim em fazer o meu melhor e Portugal tem-me permitido fazer boas épocas, bons contratos e, então, não me tem compensado ir para fora. Estar perto de casa, mesmo que seja a ganhar menos, é muito melhor do que ir para outro país. Mas não está fora de hipótese. Pode ser na próxima época, mais tarde, não sei.

És o melhor marcador da equipa com seis golos. Acreditas que, nos sete jogos que faltam, podes conseguir bater as tuas duas melhores épocas em que marcaste por 13 vezes?
Ui… Difícil [risos]. Mas não há impossíveis. Basta um jogo bem conseguido da equipa, não só individual, porque muitas vezes quando um jogador faz três ou quatro golos num jogo é porque a equipa esteve muito bem. Nesse sentido, não quer dizer que não haja um jogo que corra muito bem e que eu marque uns quantos golos. Não há impossíveis. Não penso nisso, sou sincero. Quero é ajudar a equipa como puder, seja como avançado, como extremo, seja a defender mais, a correr mais para trás do que para a frente, o que for. Neste momento, o foco passa por ajudar o Vilafranquense a safar-se desta situação porque, de facto, é um clube cumpridor, que não nos deixa faltar nada. Queremos ajudar este projeto a evoluir, porque tem tudo para ser um grande projeto.

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