Opinião: “Valores de abril”


Presidente do Sindicato dos Jogadores assinala o 48.º aniversário da Revolução dos Cravos.

Na semana em que se assinala o Dia da Liberdade, o presidente do Sindicato dos Jogadores destaca os valores da revolução do 25 de abril, num artigo de opinião publicado no Record:

“Enquanto dirigente sindical, comemorar o 25 de abril é sempre expressar o agradecimento aos seus protagonistas, pela coragem que tiveram em promover a mudança para o país das liberdades fundamentais, as quais permitem a organização coletiva ou o movimento sindical.

Num ano especial para o Sindicato dos Jogadores, que assinala 50 anos sobre a sua fundação, ainda em contexto de ditadura, o 25 de abril lembra-nos essa mudança política, social e económica que revolucionou todos os setores da sociedade portuguesa.

O desporto sempre foi um enorme motor para a defesa dos valores de abril e afirmação da causa democrática. No que ao futebol diz respeito, esta transformação também foi visível. No entanto, depois de 48 anos em liberdade, o desafio passa por colocar ao serviço da comunidade o potencial transformador que esta modalidade tem, pelo impacto social, pelo investimento e receitas que gera, pela transversalidade dos seus apoiantes e alcance da sua mensagem.

Temos, infelizmente, sinais regulares em sentido contrário, manifestações de ódio que transcendem a rivalidade clubística, racismo, violência, discriminação em função do género ou da orientação sexual.

Num contexto de emergência de populismos e grupos inorgânicos que visam minar a credibilidade das instituições democráticas, a minha esperança está nas novas gerações, que além de lembradas do que não tínhamos antes de 25 de abril de 1974, devem ser envolvidas num ambiente de tolerância, igualdade de oportunidades e respeito pelo outro, além das questões relacionadas com a proteção do ambiente e economia sustentável que também resultam da perceção que cada um tem do exercício da sua liberdade e consciência social.

Os atletas do presente e do futuro têm essa responsabilidade de influenciar pelo exemplo das suas causas.” 

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