Opinião: "A centralidade do jogador"


Presidente do Sindicato dos Jogadores e as conclusões do primeiro Congresso do Futebol Português.

No artigo de opinião desta semana, publicado no jornal Record, o presidente do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista, faz um balanço positivo do primeiro Congresso do Futebol Português, destacando o papel do jogador no futuro da modalidade: 

"O primeiro grande congresso do futebol português juntou centenas de participantes nas várias comissões criadas pela Federação Portuguesa de Futebol para debater as propostas que orientam uma visão para o futuro.

Além dos contributos na apresentação das conclusões da comissão de assuntos regulamentares, fiz questão de reforçar o apelo à colocação dos jogadores no centro da nossa estratégia.

São eles os derradeiros garantes do sucesso e, por vezes, entre muitos debates importantes, esquecemo-nos de protegê-los e respeitá-los, expondo-os ao discurso de ódio, degradação de direitos e entraves ao seu desenvolvimento integral.

Em 2026 não deveria ser necessário pedir de forma consistente este respeito geral pela atividade dos futebolistas. Vivemos um momento especial a nível desportivo. A fantástica campanha dos clubes portugueses nas competições europeias assegurou-nos o tão desejado 6.º lugar no ranking da UEFA, um trabalho coletivo que enalteceu as melhores qualidades dos jogadores e equipas técnicas do Sporting, Benfica, FC Porto e SC Braga.

Esta campanha tem sido sólida e impressionante para um país com a nossa dimensão e expressão no contexto das principais ligas europeias. O sucesso reforçará a posição do futebol português no contexto internacional e aumentará as receitas que advêm, diretamente, pela participação dos nossos clubes nas provas da UEFA.

Apesar das boas notícias, existem dados objetivos que nos obrigam a refletir sobre sustentabilidade. Além da necessidade em encontrar mecanismos de solidariedade e redistribuição de receitas que mitiguem o fosso competitivo com as demais equipas, para manter um equilíbrio fundamental, é a menor aposta que está a ser feita nos jogadores nacionais, produto da nossa extraordinária formação, que mais deve preocupar.

Esse espaço competitivo que é tão importante para desenvolver o talento, alimentar as Seleções Nacionais e garantir transferências que no passado bateram os recordes de receitas para os clubes, carece hoje de oportunidades consistentes para jovens jogadores que percorrem as divisões inferiores, as equipas Sub-23 e B.

Os dados que possuímos demonstram uma ocupação esmagadora deste espaço competitivo por jogadores estrangeiros, que não devem ser diabolizados, mas antes integrados numa estratégia que garanta que todo o investimento e capital humano que nos diferencia de outros países com a mesma dimensão não é posta em causa pela urgência em ganhar e a necessidade de consumo imediato que é promovida por quem não pode deixar de lucrar com a máquina que alimenta as transferências internacionais."

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