Opinião: "Período que nos convoca a fazer melhor"
Presidente do Sindicato dos Jogadores e a reflexão na época pascal.
No artigo de opinião desta semana publicado no jornal Record, o presidente do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista, reflete sobre o momento atual do futebol português e destaca o fórum da ANTF (Associação Nacional dos Treinadores de Futebol), que se realizou em Albufeira:
"A Páscoa, além do simbolismo religioso, é um período de reflexão. A célebre expressão de que o futebol é a coisa mais importante das menos importantes encaixa perfeitamente no momento político, económico e social que vivemos.
À semelhança do mundo, mergulhado em guerras que colocam para segundo plano os grandes desafios da Humanidade, cresce uma visão de sociedade egoística, intolerante e indiferente às necessidades do outro. Transpondo para a realidade do futebol, a ambição de ganhar e a conflituosidade parecem sobrepor-se a qualquer visão estratégica que se pretenda implementar.
Unir o futebol português continua a ser uma missão hercúlea, apesar dos muitos desafios que temos pela frente. Entre estes desafios está a sustentabilidade financeira de clubes e competições, independentemente do escalão, sem a qual não conseguiremos continuar a desenvolver o talento e a potenciar o trabalho de jogadores e treinadores.
Os protagonistas continuam, apesar de todo o ruído à sua volta, a fazer um trabalho inexcedível. Quanto ao jogador português, como garantimos que tem oportunidades para evoluir em Portugal com estabilidade pessoal e contratual, enquanto continuamos a saber internacionalizar a marca Portugal, alimentando no topo da pirâmide as necessidades das nossas Seleções?
O exemplo recente de Itália, que falha o terceiro Mundial consecutivo, e uma análise mais profunda à degradação do modelo de desenvolvimento do jogador transalpino merecem a nossa atenção enquanto país com uma base de recrutamento muito mais limitada. Deixo, por isso, o apelo à classe dirigente para que nos possamos concentrar de uma vez por todos nos aspetos que envolvem a organização e o modelo competitivo do futebol português.
Quero, ainda, aproveitar esta ocasião, após ter marcado presença na abertura do Fórum da ANTF em Albufeira, para congratular o presidente Henrique Calisto e, na sua pessoa, toda a equipa que o acompanha, pelo evento que, além da adesão massiva, ficou marcado pela reflexão sobre o futuro da classe profissional dos treinadores. Além das batalhas que unem jogadores e treinadores, estas duas atividades representam, tantas vezes, uma sequência de carreira, o que nos convoca para um trabalho conjunto na proteção e apoio a essa transição.
Registo também o 'joint statement' das várias associações nacionais de treinadores presentes no Fórum sobre a possível criação de uma estrutura que represente os interesses dos treinadores a nível internacional, o que enquanto dirigente da FIFPRO saúdo e acolho como um passo importante para uma verdadeira concertação social no plano europeu e mundial, sem a qual o futebol não evolui."



