Painel sobre futebol feminino na Portugal Football Summit


Carla Couto, Micaela Matos e Matilde Fidalgo apresentaram a perspetiva do Sindicato dos Jogadores.

O desenvolvimento do futebol feminino em Portugal exige uma visão integrada que alie a vertente desportiva à proteção laboral e social das atletas. A garantia foi deixada na Portugal Football Summit durante o painel dedicado à estratégia do Sindicato dos Jogadores, com intervenções de Carla Couto, diretora do departamento, Matilde Fidalgo, assessora, e Micaela Matos, delegada.

Com o departamento criado em 2011, Carla Couto começou por destacar a evolução contínua da iniciativa: “Somos as três o departamento que trabalha todos os dias em prol do futebol feminino e da jogadora portuguesa. O Estágio da Jogadora, por exemplo, é algo que nos traz muita satisfação por dar a possibilidade de iniciar uma pré-época e melhorar a forma. Tivemos este ano 40 participantes, jovens jogadoras, num espaço de excelência onde implementámos workshops de saúde mental, literacia financeira e carreira dual.”

A vertente laboral e contratual foi um dos temas centrais debatidos no painel, com o Sindicato a focar atenções no Acordo Coletivo de Trabalho e na eliminação de disparidades em relação ao setor masculino. Matilde Fidalgo sublinhou que a prioridade passa por assegurar garantias universais: “O futebol feminino tem quebrado barreiras por cair num espaço historicamente masculino. A possibilidade de entregarmos às jogadoras o mesmo serviço que há tantos anos já é oferecido e reconhecido para o masculino é algo significativo e uma vitória. O que o Sindicato acha muito importante é que a regulamentação não tem género. O que se aplica ao masculino é aplicável ao feminino também”. A assessora acrescentou ainda a importância do combate aos “contratos atípicos”, defendendo patamares mínimos de segurança remuneratória e de saúde.

A maternidade e a proteção da família mereceram igual destaque, sendo apontadas como prioridades absolutas para remover barreiras na carreira das praticantes. Para Micaela Matos, a conciliação entre a vida pessoal e a competição deve estar plenamente acautelada. “Não pode ser um privilégio ser mãe e ser jogadora. Tem de ser um direito”, vincou, destacando o impacto de exemplos recentes como o de Diana Silva e realçando propostas concretas como a “extensão automática do contrato em caso de gravidez ou licença” e a facilitação de mecanismos como o “congelamento de óvulos”, permitindo um planeamento familiar consciente e salvaguardado.

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