“Há mais vida para além do futebol. O importante é estar cá”
Fábio Faria e o final precoce da carreira de jogador, devido a problemas cardíacos.
No dia em que o Sindicato apresenta o “Projeto João Lucas – Displasia Arritmogénica e Morte Súbita no Desporto”, falámos com Fábio Faria, ex-defesa central que representou clubes como o Benfica, o Paços de Ferreira e o Rio Ave, e que abandonou o futebol aos 23 anos devido a problemas cardíacos.
Foi no dia 4 de fevereiro de 2012, na partida da Taça da Liga entre Moreirense e Rio Ave, que Fábio Faria se sentiu indisposto. Foi-lhe diagnosticada uma anomalia cardíaca que o forçou a desistir da carreira de jogador de futebol com apenas 23 anos.
Sobre esse período, quando lhe foi diagnosticado o problema cardíaco, Fábio confessa: “Foi complicado. Na altura não sabia bem ao certo o que era, mas ao descobrir fiquei muito triste. Desde pequeno que sempre sonhei ser jogador de futebol, sempre pratiquei desporto e nunca tive nenhum problema”.
O defesa-central falou-nos desse período mais complicado e do apoio que recebeu “da família, mas também do Sindicato, que esteve sempre ao meu lado quando tudo aconteceu e decidi abandonar a carreira. Também todos os clubes onde estive me apoiaram.”
Sobre a prevenção deste género de problemas cardíacos, o jovem, agora com 28 anos, afirma que “é complicado descobrir. Sempre fiz exames médicos e estava sempre tudo bem, nunca se previu que isto fosse acontecer. São coisas que acontecem no momento e ninguém está à espera.”
Neste contexto, o Sindicato lançou o projeto “João Lucas”, em homenagem ao ex-jogador e delegado do SJPF que faleceu devido a problemas cardíacos. A iniciativa tem como objetivo promover a investigação desta área da saúde, de forma a reforçar a prevenção desta doença no universo desportivo. Acerca do projeto, Fábio afirma que “é muito importante. As pessoas devem estar alertadas para isto.”
O ex-jogador deixa ainda uma mensagem a outros atletas que eventualmente possam sofrer problemas de saúde idênticos: “Quando se descobre uma doença destas é muito difícil, o primeiro ano é muito complicado, a autoestima vai abaixo, trabalhaste para atingir um objetivo e de um momento para o outro perde-se tudo. As pessoas têm de criar objetivos na vida e lutar por eles porque há mais vida para além do futebol. O mais importante é estar cá e junto da família e de quem mais gostamos.”



