Acordo FIFA-FIFPRO: bases para o futuro


Os últimos anos foram marcados por uma clara ausência de diálogo construtivo entre FIFA e FIFPRO, na sequência de ações judiciais como aquela que culminou com a decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia no 'caso Diarra' ou a queixa na Comissão Europeia, apresentada em conjunto com as Ligas Europeias.

Na base esteve a necessidade de defender direitos e reclamar um processo de diálogo e concertação social, garantindo que os jogadores pudessem passar, definitivamente, de parte consultada a parte integrante do processo decisório. Os quadros competitivos e calendários, o sistema de transferências, a proteção dos salários e eficácia das sanções pelo incumprimento dos clubes são alguns dos exemplos onde ficámos muito aquém do necessário.

Apesar do afastamento natural que decorre do exercício de uma posição de força, sempre defendi que era possível alcançar um acordo com o organismo que tutela o futebol mundial, não a qualquer preço, mas assente num conjunto de princípios que garantissem a capacidade de intervenção das próximas gerações. Enquanto membro do Board Mundial da FIFPRO nunca desisti de alcançar este objetivo. Parabenizo os meus colegas, em especial o presidente Sergio Marchi e staff, que garantiram estes princípios no memorando de entendimento .

Pela primeira vez, uma estrutura de diálogo social como aquela que funciona ao nível europeu, desde 2001, será formada no contexto mundial, dando voz à FIFPRO como legítimo representante dos futebolistas e parte no processo decisório.

Com esta estrutura implementada e a possibilidade de decidir, objetivamente, sobre alterações que impactam direitos laborais, sistema de transferências e distribuição das receitas geradas a favor dos jogadores, calendarização de provas e protocolos para proteção da saúde e bem-estar, distribuição de receitas decorrentes da participação em torneios ou desenvolvimento dos standards mínimos para o futebol feminino, assim como a reativação do FIFA Fund, entre outros temas, asseguramos um modelo que parte da confiança na cooperação institucional, mas termina numa fórmula democrática e participada para tomar decisões.

Além disso, garantimos ao ecossistema do futebol estabilidade, certos de que vencemos em pontos decisivos, concedemos noutros, mas chegamos ao Campeonato do Mundo de 2026 num clima favorável e com uma perspetiva bem mais animadora do que aquela que se apresentava há alguns meses. A propósito do Mundial, quero deixar uma mensagem de força aos nossos jogadores, staff e Direção da FPF, que farão de tudo para, juntos, vencer por Portugal.

Artigo de opinião publicado em: jornal Record (14 de junho de 2026)

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